Trump recebe Netanyahu e Zelensky com as guerras em momentos críticos

Trump recebe Netanyahu e Zelensky com as guerras em momentos críticos

O presidente norte-americano, Donald Trump, recebe esta terça-feira, em Washington, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, numa altura em que as guerras do Irão e na Ucrânia atravessam fases críticas.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Kylie Cooper - Reuters

A última vez que Netanyahu e Trump estiveram reunidos foi em fevereiro, quando lançaram as bases para o que se tornaria uma campanha militar conjunta contra o Irão. Na altura, os dois líderes mostravam estar unidos com um objetivo comum: derrubar o regime iraniano.

No entanto, cinco meses depois, a guerra ainda se arrasta e a divergência entre os dois líderes ficou evidente, o que gerou tensões entre os dois países.

As relações entre Trump e Netanyahu deterioraram-se acentuadamente em abril, durante as negociações para um primeiro cessar-fogo entre Washington e Teerão. Donald Trump criticou duramente o seu aliado israelita, chegando a apelida-lo de “louco”, acusando-o de obstruir os esforços diplomáticos enquanto acentuava os ataques no Líbano.
Jornal da Tarde | 28 de julho de 2026

As divergências que surgiram entre os dois aliados foram, no entanto, atenuadas por declarações otimistas de ambos os lados.

Em declarações a bordo do "Air Force One", na segunda-feira, Donald Trump reconheceu ter "pequenas diferenças" com Netanyahu sobre o desenvolvimento da guerra no Médio Oriente, mas garantiu que ambos continuam "muito próximos" nas suas posições.

"O Bibi tem sido ótimo", disse Trump aos jornalistas, usando o apelido do líder israelita. "Foi primeiro-ministro em tempo de guerra. Demo-nos muito bem juntos", acrescentou.

O primeiro-ministro israelita adiantou que vai discutir a situação no Irão com Trump e defender a segurança e o futuro de Israel durante o encontro desta terça-feira na Casa Branca.

"Vou a Washington para me encontrar com o nosso amigo, o presidente Donald Trump. Este é o meu oitavo encontro com ele desde que foi eleito presidente para o seu segundo mandato, mais do que com qualquer outro líder internacional. É um grande privilégio, mas também uma grande responsabilidade", destacou Netanyahu em declarações aos jornalistas antes de embarcar no seu voo.

"Discutiremos todos os pontos da agenda, em primeiro lugar o Irão. Naturalmente, o nosso objetivo é salvaguardar a nossa segurança e também expandir o círculo de paz à nossa volta", realçou, adiantando que o "objetivo claro" da viagem é "garantir a segurança, a força e o futuro do Estado de Israel".

Está também previsto que discutam a implementação do acordo-quadro mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Líbano — com o objetivo de pôr fim ao estado de guerra — cuja aplicação continua a ser difícil no terreno.

Netanyahu também procura o apoio do seu aliado Trump para a sua campanha para a reeleição nas eleições de 27 de outubro. As sondagens mostram que o líder israelita está a perder apoio, com alguns a culparem o seu governo de não ter impedido o ataque do Hamas contra Israel, a 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
Zelenksy também está em Washington
Trump vai receber também Zelensky na Casa Branca. Zelensky e Netanyahu estão em Washington para participar numa cerimónia em memória do senador Lindsey Graham, um republicano que foi um dos aliados mais próximos de Trump e que tentou frequentemente persuadi-lo a prestar mais apoio à guerra na Ucrânia.

Ao contrário de Netanyahu, as relações entre o presidente norte-americano e o seu homólogo ucraniano estreitaram-se à medida que a Ucrânia conteve os avanços russos e obteve maior sucesso na guerra.

Zelensky deverá ter uma breve reunião privada com Trump na Casa Branca, provavelmente sem a presença de jornalistas, disse uma fonte familiarizada com o assunto à Reuters.

Espera-se que Zelensky pressione Trump por recursos de defesa aérea urgentemente necessários e pela conclusão de um acordo de drones com os Estados Unidos. Os dois líderes deverão também discutir a promessa de Trump, feita na cimeira da NATO, de conceder à Ucrânia uma licença para produzir intercetores Patriot.

Zelensky falou na semana passada com os enviados norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, sobre as perspetivas de retomar as conversações de paz com a Rússia e disse que as autoridades ucranianas e norte-americanas poderão reunir-se nos Estados Unidos nos próximos dias.

"Com o presidente Zelensky, o presidente Trump vai discutir o processo de paz em curso entre a Rússia e a Ucrânia. Agora é o momento de pôr fim à guerra", disse o responsável da Casa Branca.


Após a reunião na Casa Branca, espera-se que Zelensky vá ao Capitólio dos EUA para um encontro com todos os 100 senadores.

A visita de Zelensky acontece após o envio de uma carta pelo Pentágono aos deputados, na qual a administração Trump informou o Congresso que não concluirá a despesa dos 400 milhões de dólares autorizados para auxílio à Ucrânia até ao ano fiscal de 2029, mesmo com Kiev a enfrentar uma grave crise económica.

c/agências
Tópicos
PUB